Morte de ex-líder do Hezbollah sacode o Líbano: o que vem agora?
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Beirute, uma cidade marcada por resistência e conflitos, testemunhou no último domingo o funeral de Hassan Nasrallah, ex-secretário-geral do Hezbollah, morto em um bombardeio israelense em setembro de 2024. A operação envolveu 80 bombas de uma tonelada, destruindo o edifício onde ele se encontrava.
Desde as primeiras horas do dia, o local de sua morte se transformou em um ponto de peregrinação, reunindo multidões que hasteavam bandeiras da chamada "Eixo da Resistência" e entoavam palavras de ordem. Para muitos, aquele não era apenas um funeral, mas um símbolo de luta.
Quem foi Hassan Nasrallah?
Embora não tenha sido o primeiro líder do Hezbollah, Nasrallah foi, sem dúvida, o mais influente. Criado em um bairro pobre de Beirute, dedicou-se à religião desde cedo e encontrou na política um caminho para expandir sua visão. Sua trajetória o levou do Movimento Amal à fundação do Hezbollah em 1982, em meio à invasão israelense no Líbano.
Sob sua liderança, o Hezbollah fortaleceu sua presença militar e política, conquistando grande influência no país. Em 2000, a organização forçou a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, e em 2006, travou uma guerra contra Israel que consolidou seu status como força militar significativa.
Hezbollah após Nasrallah
A morte de Nasrallah representou um golpe para o Hezbollah, mas não sua ruína. Com uma estrutura descentralizada, o grupo se reorganiza rapidamente. O novo líder, Sheikh Naim Qassem, assume o comando em um momento de tensão crescente entre Israel e o Líbano.
A sucessão de Nasrallah ocorre em meio a uma geração mais jovem e altamente motivada dentro da organização. Além disso, o Hezbollah mantém o apoio do Irã, que expandiu suas capacidades militares desde a fundação do grupo.
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O que esperar daqui para frente?
O enterro de Nasrallah atraiu cerca de um milhão de pessoas a Beirute, incluindo líderes políticos, militares e religiosos do Oriente Médio. A grande mobilização demonstra que, longe de se enfraquecer, o Hezbollah se mantém como uma força influente.
Especialistas acreditam que a morte de Nasrallah pode reacender tensões na região. Israel apostou que a eliminação de seu líder desestabilizaria o Hezbollah, mas o efeito pode ser o oposto: fortalecer sua base e aprofundar o conflito.
Se há algo certo no cenário geopolítico do Líbano, é que a resistência não pretende recuar – e uma nova escalada pode estar mais próxima do que nunca.