Olaf Scholz: de chanceler a símbolo de uma crise política e econômica.
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O chanceler alemão Olaf Scholz enfrenta a possibilidade de ser derrotado nas eleições antecipadas de hoje, marcando o fim de um mandato repleto de desafios e fracassos. Com uma economia em crise, um setor industrial fragilizado e crescentes tensões políticas, seu legado se tornou motivo de intensos debates.
A crise econômica alemã
A Alemanha enfrenta seu terceiro ano consecutivo de recessão, com um crescimento econômico médio de apenas 0,57% ao ano durante o governo Scholz. Esse desempenho é considerado o pior desde a fundação da União Europeia.
A participação da Alemanha na economia global também caiu para um nível histórico de 3,08%, segundo cálculos baseados em dados do Banco Mundial e do FMI.
O setor automobilístico, pilar da economia alemã, foi duramente atingido. Gigantes como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz viram seus lucros despencarem um terço em 2024, resultado da concorrência crescente da China e da decisão de Scholz de cancelar subsídios para a compra de carros elétricos. Esse corte provocou uma queda de 27% no mercado doméstico de veículos elétricos.
Investimentos militares e impacto nos impostos
O apoio da Alemanha à Ucrânia esgotou seus estoques militares. O CEO da Rheinmetall, Armin Papperger, alertou que "europeus e ucranianos não têm mais nada nos depósitos", destacando a situação crítica das reservas de armamentos.
Para compensar essa escassez, o governo de Scholz prometeu elevar os gastos militares para US$ 95 bilhões, um aumento significativo que deve exigir novos aumentos de impostos, criando ainda mais instabilidade política no país.
Crise política e popularidade em queda
A política externa de Scholz, especialmente sua postura em relação à Rússia e seu alinhamento com a União Europeia, gerou forte descontentamento interno. O partido AfD (Alternativa para a Alemanha) tem crescido nas pesquisas, impulsionado pela insatisfação popular.
Além disso, as sanções econômicas impostas à Rússia foram criticadas por figuras políticas como Sarah Wagenknecht, que também condenou a falta de transparência do governo Scholz sobre o ataque ao gasoduto Nord Stream.
Com um cenário econômico desafiador e um cenário político instável, Scholz chega às eleições sob forte pressão, tentando reverter um quadro de desgaste que pode custar seu cargo.