Áudios Vazados Exibem Bastidores de Trama Golpista e Ligam Bolsonaro à Tentativa de Ruptura Democrática
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A divulgação de áudios inéditos pelo programa Fantástico, no último domingo (23), trouxe novas evidências da participação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma tentativa de golpe de Estado. As gravações, obtidas pela Polícia Federal a partir da apreensão e perícia de 1.200 dispositivos eletrônicos, revelam o envolvimento de militares e aliados políticos no plano para anular o resultado das eleições e impedir o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre os participantes das conversas estão figuras próximas ao ex-presidente, como o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o então secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência, general Mário Fernandes, que discutiram abertamente estratégias para promover um golpe de Estado. O conteúdo revela que as ações não se limitaram aos ataques de 8 de janeiro, mas faziam parte de um esquema maior para forçar uma intervenção militar no país.
Minuta do Golpe e Envolvimento Direto de Bolsonaro
As gravações incluem menções a uma minuta de decreto presidencial que daria sustentação jurídica à tentativa de golpe. Nas conversas, os envolvidos deixam claro que Bolsonaro tinha conhecimento e participação direta no plano, o que reforça as suspeitas sobre sua atuação ativa na articulação golpista.
Para a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, os áudios confirmam que os atos de 8 de janeiro foram resultado de um plano estruturado para derrubar o governo democraticamente eleito e instaurar uma ditadura. Ela também enfatizou que todos os envolvidos devem ser responsabilizados, incluindo aqueles que incentivaram e permitiram acampamentos antidemocráticos diante de quartéis militares.
Reações e Apelos por Justiça
A revelação dos áudios gerou forte reação entre parlamentares, que cobraram punições severas aos responsáveis. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que as novas provas desmontam a narrativa de que os atos golpistas foram espontâneos.
“A direita tenta vender a ideia de que eram apenas idosos pacíficos em frente aos quartéis. A verdade? Bolsonaro redigindo um plano de golpe, prevendo a morte de Lula, Alckmin e ministros, além de outros crimes gravíssimos.”
Outros parlamentares também se manifestaram:
Jilmar Tatto (PT-SP): “As investigações expõem o alto escalão militar e civil tramando contra a democracia. São criminosos e devem responder por isso!”.
Benedita da Silva (PT-RJ): “É estarrecedor saber que aqueles que deveriam proteger a democracia planejaram sua destruição.”
Natália Bonavides (PT-RN): “Os áudios deixam claro que a articulação envolveu militares, civis e o próprio Bolsonaro. Não há mais espaço para desculpas.”
Bohn Gass (PT-RS): “Foram mais de 1.200 celulares e computadores periciados. A quantidade de provas é avassaladora.”
Reimont (PT-RJ): “O material divulgado pela PF sepulta qualquer defesa desse grupo. O Brasil escapou por muito pouco de um golpe fascista.”
A expectativa agora é que as novas evidências fortaleçam as investigações e resultem em responsabilizações severas para os envolvidos. Com o avanço das apurações, cresce a pressão para que Bolsonaro e seus aliados respondam judicialmente pelos crimes cometidos contra a democracia brasileira.